A Comunhão dos Santos

(Imagem da internet)

    Na oração do Credo rezamos aquilo que acreditamos pela nossa fé e recebemos dos Apóstolos, daí o nome Símbolo[1] dos Apóstolos dado a essa oração. Chamamos também tal oração de Profissão de Fé, pois a partir dela declaramos o que acreditamos pela nossa fé. Na Missa, tal oração vem localizada justamente depois das Leituras bíblicas para demonstrar que vamos professar aquelas verdades de fé que ouvimos e acreditamos.

            Sem delongas, adentrando naquilo que desejamos neste texto, em uma parte da Profissão de Fé, rezamos assim: “creio [...] na comunhão dos santos”. Mas o que vem a ser essa comunhão e dos santos? Antes de dizermos essa parte, nós rezamos: “creio [...] na Santa Igreja Católica”. A comunhão dos santos está intimamente ligada com essa parte anterior. A Igreja é a assembleia dos santos e, por isso, a comunhão dos santos é a Igreja.

    Todos os que tem fé formam um só corpo, o corpo místico de Cristo (cf. 1Cor 12,12-14) e, desse modo, o bem de uns é comunicado aos outros. Assim, na Igreja, os bens são compartilhados, há uma comunhão dos bens. Cristo, a cabeça da Igreja que é seu corpo (cf. Cl 1,18), compartilha o seu bem a todos os membros da Igreja através dos sacramentos. E a comunhão continua, se um membro da Igreja sofre, todos sofrem também e se um membro é honrado, todos são honrados com ele, pois todos estão em comunhão pela fé em Cristo (cf. 1Cor 12,26-27). O menor ato de caridade beneficia a todos, vivos ou mortos, nesta solidariedade chamada comunhão dos santos. Tudo aquilo que se faz ou sofre em e por Cristo produz frutos para todos. Assim, nossa oração pode ajudar uma pessoa que está no outro lado do mundo e que eu nunca vi ou alguém que está ao meu lado, do mesmo modo como sou beneficiado pela oração de outras pessoas. Como disse várias vezes o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si: “Tudo está interligado” (16, 91, 117, 138, 240). Vale ressaltar que o pecado cometido prejudica tal comunhão.

            Na comunhão dos santos, toda a Igreja se une: nós, peregrinos nesta terra, Igreja militante, os que cumprem a sua purificação no purgatório, Igreja padecente, e os bem-aventurados do céu, a Igreja triunfante. Desse modo, os santos que já estão junto de Deus intercedem por nós, nós intercedemos uns pelos outros e pelos falecidos e recebemos as graças dessa comunhão espiritual. Daí a importância de rezarmos uns pelos outros.

            Segundo Dom Orani Tempesta (2010): “com o termo comunhão dos santos afirmamos a existência de uma íntima união sobrenatural entre todos os que são membros do Povo de Deus”.

            Em suma, através de Cristo, todos são unidos em um só corpo, a Igreja, e, portanto, formando um só corpo recebemos os bens provenientes dessa união, a comunhão dos santos.

 

Referências

A BÍBLIA de Jerusalém. Nov.ed.rev. São Paulo: Paulus, 1985.


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 6.ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas: Loyola, 1993.


TEMPESTA, Dom Orani João. Comunhão dos Santos. CNBB, 01 de novembro 2010. Disponível em: <https://www.cnbb.org.br/comunhao-dos-santos/>. Acesso em: 03 set. 2020.

 



[1] A palavra grega símbolo – symbolon – deve ser entendida aqui como o conjunto das principais verdades da fé. O Credo é o Símbolo dos Apóstolos ou da fé, pois traz resumidas as principais verdades de nossa fé.


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