Durante o dia de hoje, sábado após a Sexta-feira Santa, vivemos liturgicamente o momento do singular silêncio e solidão entre o sepultamento de Jesus e a sua Ressurreição. Um grande silêncio reina sobre a terra. Estamos junto com Maria, Virgem do Silêncio e Senhora da Soledade – que quer dizer solidão – que sofre e chora a ausência física do seu amado Filho. Entretanto, não só na liturgia do Tríduo Pascal, mas também na liturgia da vida vivemos tal experiência. Quem já perdeu alguém querido sabe como é isso. Quando enterramos alguém a quem amamos fica um vazio dentro de nós. A fé nos consola e o tempo ajuda a cicatrizar, em partes, a dor, mas nunca esquecemos aquela pessoa, pois quem partiu deixa um vazio existencial em nós. É justamente essa experiência que vivemos hoje, durante o sábado após a Sexta-feira Santa: a de não estarmos fisicamente com que tanto amamos e, por isso, perguntamo-nos onde essa pessoa estará. Experimentamos a nossa soledade. Buscamos respostas e nos defrontamos com o mistério da condição humana que nos escapa. Há um intervalo entre a morte e o reencontro definitivo. Maria viveu isso. Também nós vivemos. A chama da fé não se apagou nela e, por mais que seja difícil acreditar, não deve apagar também em nós. Um dia, “se Deus quiser”, veremos novamente aqueles que amamos, aqueles que um dia convivemos e que partiram. Afinal, cremos que a Ressurreição de Cristo e sua Páscoa – passagem da morte para Vida – também é a nossa ressurreição e nossa páscoa. Em Deus, toda soledade transforma-se em lugar fecundo de encontro com Ele mesmo, sentido pleno da vida e da Vida.
Emanuel Tadeu
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