Setenário das Dores de Maria

 

(Imagem da internet)

A invocação das Dores de Maria tornou-se pública, segundo Senna Freitas[1] (apud JÚNIOR, 1956, p. 88), a partir do mandato do Papa Bento XIII em 22 de agosto de 1727 de que se rezasse sobre as “Dores de Nossa Senhora”. A partir disso, os artistas pintaram a Senhora das Dores em pranto, com um rosto angustiado, tendo no peito atravessadas uma ou sete espadas. Desse modo, discorre Júnior (1956, p. 88-91): “[...] o que fêz com que durante muito tempo, antes da definição específica de ‘Dôres’, denominava, o povo, a imagem da Senhora”[2].

A Congregação do Oratório, presente em Braga, foi quem organizou o culto em Portugal. Os oratorianos estabeleceram uma Confraria de “Servos de Nossa Senhora das Dores” em 1761 que passou a ser conhecida como “Servitas” e transformou-se em Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário, uma vez que a imagem das Dores era colocada junto da Cruz na qual estava o crucificado.

O culto da Virgem Dolorosa no Brasil é oriundo de tal movimento português. Vila Rica, atual Ouro Preto, foi o local em que tal devoção foi cultivada por primeiro nas terras brasileiras. Nas palavras de Júnior (1956, p. 91): “[...] sendo Minas Gerais em Vila Rica, Minas Gerais, o primeiro lugar em que se firmou [a Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário] com enorme alegria dos fiéis”. A referida Irmandade foi fundada em 1767 filiada à Congregação do Oratório de Braga recebendo a carta de Confirmação em 1768 do Prior Geral. A primeira procissão das Dores e do Senhor Morto foi realizada em Vila Rica em 1775 e logo se espalhou por toda Capitania[3]. Segundo Megale (p. 192): “Ali [Ouro Preto], a partir de 1770 até bem pouco tempo, realizava-se uma das mais belas tradições religiosas de Minas Gerais, o Septenário das Dores”[4]

A grande Semana da fé do povo católico, a chamada Semana Santa, com toda sua rica liturgia e paraliturgia, começou a ser antecedida pela Semana das Dores na qual se refletia durante sete dias sobre as sete Dores que Maria vivenciou em sua vida. Sobre tais dores aborda Maggiani (1955, p. 422): “A meditação cristã recolheu e, de certo modo, codificou progressivamente ao longo dos séculos sete acontecimentos dolorosos, sete episódios bíblicos nos quais a participação de Santa Maria é atestada explicitamente ou intuída pela tradição”.

 

Referências

JÚNIOR, Augusto de Lima. História de Nossa Senhora em Minas Gerais: Origens das principais invocações. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1956.

MAGGIANI, S. Dores, B.V. Maria das. In: FIORES, Stefano De; MEO, Salvatore (Org.). Dicionário de Mariologia. Tradução Álvaro A. Cunha, Honório Dalbosco e Isabel F. L. Ferreira. São Paulo: Paulus, 1995. (Dicionários).

MEGALE, Nilza Botelho. Invocações da Virgem Maria no Brasil: História, Iconografia, Folclore. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

 


[1] Livro: “Memórias de Braga”.

[2] A citação está de acordo com a obra da qual foi tirada.

[3] A Irmandade Nossa Senhora das Dores e Calvário foi quem introduziu no Brasil a prática da Via Sacra, procissão dos Passos e a do Enterro (cf. JÚNIOR, 1956, p. 91).

[4] A citação está de acordo com a obra da qual foi tirada.


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